Preparação para emergência tem fama de exagero — imagens de bunker e estoque para o fim do mundo. Mas a preparação que realmente importa é banal: água, lanterna, documentos acessíveis e um plano combinado. Veja como se preparar para uma emergência em casa para os eventos que de fato acontecem.
Prepare-se para o provável
No Brasil, os cenários mais comuns são falta de energia prolongada, falta de água, alagamento, temporal com queda de árvore, incêndio doméstico e emergência médica. É para esses que vale se organizar.
Considere também o risco específico do seu lugar: quem mora em área de encosta ou de alagamento recorrente precisa de plano de evacuação; quem mora em prédio alto precisa saber a rota de escape sem elevador.
O kit básico
Uma caixa ou mochila, em local conhecido por todos, com:
- Água potável — a referência usual é cerca de 4 litros por pessoa por dia, para pelo menos três dias.
- Alimentos não perecíveis que dispensem cozimento, e um abridor manual.
- Lanterna e pilhas — não dependa do celular, que você vai precisar poupar.
- Carregador portátil carregado.
- Rádio a pilha — em apagão amplo, pode ser a única fonte de informação.
- Kit de primeiros socorros e os medicamentos de uso contínuo da família.
- Cópias de documentos em saco impermeável, e cópias digitais na nuvem.
- Dinheiro em espécie — sem energia, maquininha e Pix não funcionam.
- Agasalho, cobertor, apito e itens de higiene.
Revise a cada seis meses: troque água e alimentos, teste as pilhas e atualize os medicamentos. Kit montado e esquecido por cinco anos serve pouco.
O plano combinado
Mais importante que o kit. Converse com a família e defina:
- Ponto de encontro — um perto de casa e outro fora do bairro, caso a região precise ser evacuada.
- Contato de referência, de preferência em outra cidade. Em emergências locais, ligar para longe às vezes funciona quando a rede local está congestionada.
- Quem busca as crianças na escola e quem ajuda idosos ou pessoas com mobilidade reduzida.
- Onde ficam o registro de gás, o disjuntor geral e o registro de água — e como desligá-los. Todos da casa devem saber.
Anote os números de emergência em papel, e não só no celular: 192 (SAMU), 193 (Bombeiros), 190 (Polícia), 199 (Defesa Civil).
Situações específicas
Falta de energia: mantenha geladeira e freezer fechados — cheios, conservam por muitas horas. Desligue aparelhos da tomada para evitar dano quando a energia voltar com oscilação. Não use churrasqueira, gerador ou aquecedor a combustão dentro de casa: risco de intoxicação por monóxido de carbono, que é inodoro.
Alagamento: desligue a energia antes que a água chegue às tomadas. Não caminhe nem dirija por água corrente — poucos centímetros bastam para derrubar uma pessoa, e a água esconde bueiros abertos. Suba para lugar alto e não volte antes da liberação oficial.
Incêndio: saia primeiro, ligue depois. Mantenha-se abaixo da fumaça, que sobe e é o que mais mata. Se a porta estiver quente, não abra. Tenha um extintor em casa e saiba usá-lo — e nunca jogue água em fogo de óleo ou em equipamento elétrico.
Vazamento de gás: não acione interruptores nem acenda nada — a faísca basta. Feche o registro, abra portas e janelas e saia para ligar de fora.
A preparação que mais rende
Se você fizer só três coisas: faça um curso básico de primeiros socorros — saber reanimar ou estancar sangramento salva vidas de forma que nenhum item comprado consegue; tenha os documentos digitalizados na nuvem; e combine o plano com a família, em voz alta, uma vez por ano.
Custa pouco, ocupa pouco espaço e é o que faz diferença no dia em que fizer falta.